O que é gagueira e por que importa?

O que é gagueira?

Gagueira, também chamada de disfluência, é um distúrbio involuntário que causa interrupções na fala de uma pessoa. Pode ser caracterizada por repetições (da-da-da-dar/que-que-que-querer), prolongamentos para pronunciar certos sons (mmmmmúsica), e hesitações anormais ou pausas antes de uma palavra, conhecidos como bloqueios (——bolsas/Eu—–Eu gosto de bolsas).

A gagueira afeta mais de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, de todas as classes sociais, culturas e grupos étnicos. Afeta cerca de quatro vezes mais homens do que mulheres, uma discrepância de gênero que não é totalmente compreendida.

O bloqueio na fala é, provavelmente, menos fácil de identificar como gagueira, pois quem tem esse tipo de impedimento consegue mais facilmente criar estratégias para disfarçar sua disfluência. Estratégias para camuflar a gagueira incluem a substituição de palavras com significado similar ou preenchimento dos bloqueios com excesso de palavras que atuam como ferramenta usada para ganhar tempo até que sejam capazes de pronunciar a palavra que desejam.
Frequentemente, pessoas com bloqueios na fala usarão sons como “hmmmm” ou “uhhh” entre as palavras para preencher os espaços.

A gagueira está além do controle da pessoa e a frequência da gagueira pode variar de palavra a palavra, com períodos de fluência aleatórios. A mesma pessoa pode soar completamente fluente em uma ocasião mas gaguejar em outra, dependendo da situação ou do ambiente.

Além de interromper a fala, a gagueira severa pode causar sintomas físicos como piscar os olhos, olhar ao redor, tremedeira nas pernas, caretas e tensão de músculos faciais quando a pessoa está com dificuldades para pronunciar uma palavra.

É importante ressaltar que a gagueira não é uma doença e nem uma deficiência mental. Ela também não reflete a capacidade intelectual de uma pessoa. De fato, muitos profissionais que gaguejam são bem sucedidos. Algumas das pessoas mais famosas que gaguejavam na infância ou que ainda gaguejam na fase adulta incluem os políticos Winston Churchill e o atual Presidente dos Estados Unidos Joe Biden, os atores Emily Blunt, Marilyn Monroe, Nicole Kidman, Bruce Willis, e Samuel L. Jackson, além do cantor Ed Sheeran, o naturalista Charles Darwin, o cartunista Jim Davis, o jornalista Byron Pitts, o executivo Malcolm Fraser e o atleta Tiger Woods. Talvez o mais famoso de todos tenha sido o Rei George VI da Grã-Bretanha. O filme ganhador do Oscar “The King’s Speech” conta a história de sua batalha contra o impedimento de sua fala.

Ninguém sabe ao certo as causas precisas da gagueira, mas sabemos que fatores psicológicos, biológicos e sociais contribuem para interrupções no fluxo da fala de uma pessoa. Alguns pesquisadores acreditam que a disfluência seja uma condição neurológica com uma predisposição genética, já que a gagueira muitas vezes ocorre dentro das mesmas famílias. Dinâmicas familiares também podem influenciar o desenvolvimento da gagueira.

Por serem tão pouco conhecidas suas causas, não existe uma cura específica e nem medicação para tratar o distúrbio. Apoio familiar e intervenção com fonoaudiólogo ou outros especialistas são as principais opções de tratamento para crianças e adultos que gaguejam.

Por que falar de gagueira?

Apesar do grande número de pessoas afetadas pela gagueira, pouca atenção é dada ao tema e ele se mantem pouco entendido pela sociedade em geral. Como resultado, as pessoas que gaguejam frequentemente enfrentam “bullying”, estigmatização e discriminação em salas de aula, no trabalho, e até mesmo em casa por membros da própria família.

A percepção pública de que pessoas que gaguejam são nervosas, ansiosas ou introvertidas é simplesmente errada. Como a gagueira afeta pessoas de todas as classes sociais, grupos étnicos e classes econômicas, ela também afeta pessoas com variados tipos de personalidade. O que acontece é que pessoas que gaguejam muitas vezes evitam interações sociais ou outras situações de comunicação e, por isso, acabam sendo vistas como tímidas ou quietas.

A inabilidade de se comunicar efetivamente pode ter um impacto significativo na saúde mental e no bem-estar emocional e no senso de mérito de uma pessoa. Pessoas que gaguejam podem repetidamente vivenciar uma frustração profunda, vergonha e constrangimento, por acreditarem que não podem ser elas mesmas sem uma fala contínua, suave e sem esforço. Isso pode levar ao medo de se comunicar em várias situações do dia-a-dia, resultando em ansiedade social e isolamento. O impacto da gagueira na qualidade de vida de um indivíduo pode ser mais significativo do que aparenta.

A maioria das pessoas gagas raramente admitem ou comentam sobre sua disfluência para os outros. Como alternativa, elas desenvolvem estratégias e truques para esconder a gagueira em uma tentativa de evitar sofrer “bullying” e discriminação.

Mudar a visão da sociedade em relação a gagueira é importante e pode impactar diretamente a vida daqueles que sofrem com o distúrbio. Isso significa educar o público sobre transtornos de comunicação e trocar estereótipos e percepções equivocadas por fatos e capacidade de apoio.

Gagueira vs Taquifemia

Algumas pessoas confundem gagueira e taquifemia como sendo a mesma coisa, mas não são.

Desordem de fala (Taquifemia) é um complexo, e um dos mais negligenciados, transtornos da fala. Ela afeta a capacidade da pessoa se comunicar de maneira clara e concisa. Pessoas que falam desordenadamente podem ter que trabalhar arduamente ​vários aspectos de sua fala, incluindo ritmo, articulação, e formação linguística, sendo muito difícil para os ouvintes entenderem tudo que estão dizendo. Pessoas que falam desordenadamente podem, às vezes, apresentar sintomas de déficit de atenção (TDAH), dificuldade de aprendizagem, ou transtorno de linguagem e articulação, que não é o caso das pessoas que gaguejam.

Além de déficit de atenção, pessoas com taquifemia fazem intervalos excessivos no fluxo normal da fala, se expressando de forma anormalmente rápida ou irregular. Devido ao fato da gagueira e da taquifemia serem distúrbios parecidos, muitos profissionais da área acabam diagnosticando incorretamente pessoas com taquifemia como gagueira. Uma pessoa que tem fala desordenada pode também gaguejar, mas essa não é uma regra.

A taquifemia também é caracterizada pelo desorganização de planejamento da fala, enquanto aqueles que gaguejam normalmente sabem exatamente o que eles querem dizer, mas ficam temporariamente incapazes de fazê-lo. Outro diferencial é que pessoas que gaguejam normalmente apresentam repetições, prolongamentos, ou bloqueios, enquanto aqueles com fala desordenada tendem a mostrar interjeições que preenchem palavras com “um” ou “uh”, apresentam repetições de frases e revisões em suas falas. Além disso, a maioria das pessoas que têm fala desordenada não apresenta comportamento secundário quando se comunicam, como tensão facial, piscar os olhos e outros movimentos corporais associados.

Para identificar a taquifemia ouça a fala não gaguejada de uma pessoa e identifique sintomas como rápido ritmo de fala, omissão de sílabas ou palavras, deixando as palavras inacabadas (por exemplo, “esque” em vez de “esqueça”), repetindo palavras e frases e pausas incomuns.

Os sintomas da desordem de fala normalmente aparecem durante os anos pré-escolares e podem persistir na idade adulta.

O tratamento requer terapia altamente individualizada. Embora o tratamento na idade adulta não garanta a recuperação completa, pessoas com taquifemia devem procurar um fonoaudiólogo o mais rápido possível para trabalhar sua fluência de comunicação.

Ao contrário da gagueira, uma pessoa que tem desordem de fala não percebe que tem um distúrbio até alguém comentar ou apontar o problema. Como resultado, o tratamento pode ser atrasado devido à falta de consciência do próprio indivíduo. Assim como a gagueira, as causas da desordem da fala ainda são desconhecidos.

 

 

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